Ex-presidente do Peru, Alan García comete suicídio para evitar prisão no caso Odebrecht

Alan Garcia, ex-presidente do Peru, tentou se matar com um tiro antes de ser preso Foto: Ernesto BENAVIDES / AFP
A TRIBUNA BAHIA/ITAMARAJU-BA-BRASIL
LIMA - Alan García, ex-presidente do Peru, cometeu suicídio nesta quarta-feira, 17, com um tiro na cabeça quando policiais chegaram em sua residência, na capital do país, para prendê-lo por conexões com uma investigação sobre suborno no caso relacionado à construtora brasileira Odebrecht. García chegou a ser levado a um hospital, onde sofreu três paradas cardíacas e passou por cirurgia, mas morreu após três horas no centro cirúrgico, segundo fontes médicas. 


"Esta manhã aconteceu este acidente lamentável: o presidente tomou a decisão de atirar", disse Erasmo Reyna, advogado de García, na entrada do Hospital de Emergências Casimiro Ulloa, em Lima. O hospital indicou que García, de 69 anos, tinha "um ferimento de bala na cabeça". Os dirigentes do partido de García e o presidente Martín Vizcarra confirmaram a morte do político. É o primeiro caso de suicídio relacionado à Lava-Jato na América Latina. 
Vizcarra lamentou a morte de García. “Estou consternado pela morte do ex-presidente Alan García”, disse no Twitter. “Minhas condolências à família.”
A informação de que o ex-presidente - que comandou o Peru de 1985 a 1990 e de 2006 a 2011 - havia tentado tirar a própria vida foi divulgada nesta manhã por fontes policiais que pediram para não ser identificadas. Segundo o ministro do Interior, García soube que havia uma ordem de prisão preventiva contra ele por volta de 6h30 (horário local), pediu permissão para conversar com seu advogado e se trancou em seu quarto. Neste momento, foram ouvidos disparos. 
Imagens de emissoras locais de TV mostraram o filho do ex-presidente e partidários políticos chegando ao hospital Casimiro Ulloa. A polícia fez um cordão de isolamento para garantir a segurança no local.
Momentos antes, em comunicado, o Ministério da Saúde peruano informou que o ex-presidente tinha um "impacto de bala na cabeça, com entrada e saída" e seu estado de saúde era delicado e o prognóstico, reservado.
Antes da confirmação do óbito, o diretor do hospital Casimiro Ulloa, Enrique Gutiérrez, afirmou que o ex-mandatário ingressou na unidade de saúde às 7h17 (9h17, em Brasília) e foi levado direto para a sala de cirurgia. "Em três oportunidades, teve paradas cardiorrespiratórias." 

Caso Odebrecht

Segundo a ordem judicial obtida pela agência Associated Press, a autorização para prender García foi emitida sob argumento de que o ex-presidente teria recebido US$ 100 mil da Odebrecht pagos de forma disfarçada como o cachê de uma conferência em São Paulo feita em 2012.
Em dezembro, o Uruguai rejeitou o pedido de asilo de García, que buscou proteção no consulado uruguaio em Lima depois de um juiz reter seu passaporte na investigação sobre propinas pagas pela Odebrecht.
Ao negar a solicitação, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, disse que não havia provas que respaldassem a alegação de García de que era perseguido politicamente pelo atual presidente peruano Martín Vizcarra.
Garcia pertence ao tradicional partido peruano Apra. Formada nos anos 20 como um partido social-democrata, a legenda foi migrando para o centro ao longo dos anos e possui grande influência no Judiciário peruano, o que é apontado, por analistas, como um motivo para o ex-presidente ter sido um dos últimos a ter o pedido de prisão pedido pelos tribunais. 
A Odebrecht está no centro do maior escândalo de corrupção na América Latina depois de haver admitido, em acordo assinado em 2016 com o Departamento de Justiça dos EUA, ter pago mais de US$ 800 milhões em propinas em diversos países da região para ser beneficiada em grandes obras de infraestrutura.
No Peru, a empresa disse que pagou US$ 29 milhões entre 2005 e 2014. O caso atingiu também os ex-presidentes peruanos Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), todos sob investigação da promotoria.
Na semana passada, a Justiça peruana ordenou a detenção por dez dias de Kuczynski no âmbito de uma investigação por suposto crime de lavagem de dinheiro no caso Odebrecht.  / AFP, REUTERS e EFE

ex. Presidente Preso há uma semana, PPK é hospitalizado no Peru


Ex-presidente peruano é acusado de receber propina da Odebrecht


O ex-presidente do Peru Pedro Pablo Kuczynski deu entrada na UTI de uma clínica em Lima, no Peru, na tarde de hoje (17), após sofrer uma crise de hipertensão arterial. Segundo informações da agência de notícias France Presse, foi levado com urgência à clínica Angloamericana, na capital peruana. PPK estava preso há uma semana, acusado de receber propina da Odebrecht.
O internamento do ex-presidente ocorre no mesmo dia do falecimento de outro ex-líder do país, Alex Garcia, que se suicidou após ser denunciado por recebimento de propina da Odebrecht durante campanha eleitoral.

O fato ocorreu momentos antes de sua prisão.Além de Kuczynski e Garcia, são acusados, também, Alejandro Toledo e Ollanta Humala.

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